Uma audiência da Comissão de Meio Ambiente trouxe ao público, nessa segunda, a experiência do fechamento do Lixão da Perimetral, em Brasília, Distrito Federal, e a criação do aterro sanitário na cidade. A presidente do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal, Kátia Campos, explicou os detalhes do processo a uma plateia de representantes de prefeituras, órgãos estaduais e associações profissionais. Até 2015, o lixão de Brasília era considerado o segundo maior do mundo, com quarenta milhões de toneladas de resíduos numa área de duzentos hectares. Em torno do lixão, mulheres, homens e crianças viviam em condições críticas e eram explorados por particulares sem autorização pública. Além do problema social, o meio ambiente foi contaminado pelo chorume dos resíduos. De acordo com Kátia Campos, só foi possível mudar a situação devido à vontade política do governador. “Cada governo prioriza uma determinada área. Uns priorizaram estádios. O estádio de Brasília, por exemplo, custou dois bilhões de reais. Então, a prioridade política, ela é fundamental exatamente porque as demandas são maiores do que a oferta de recursos.”
Mas a presidente do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal também ressalta que o fechamento do lixão é apenas o início do trabalho. “Tão difícil quanto fechar o lixão, ou talvez até mais difícil, é fazer com que a coleta seletiva funcione com a população atuando, separando o material, que os catadores consigam trabalhar de forma produtiva, organizada, focada, que saibam apresentar os comprovantes dos serviços feitos.”
O desafio do Distrito Federal não é diferente do de Pernambuco. A Região Metropolitana do Recife tem dois aterros sanitários privados, mas os lixões permanecem no Interior. E, em todo o estado, muitos municípios ainda não fazem corretamente a coleta seletiva. A presidente da cooperativa de catadores de Abreu e Lima, Lindaci Gonçalves, ressalta a dificuldade em receber os resíduos separados em cidades como Recife. “Os grupos que fazem parte de coleta seletiva, eles não recebem o material limpo. Então, a população separa o resíduo, mas quando chega nos grupos, chega tudo misturado no caminhão compactador. Então, isso atrasa o serviço das cooperativas. E em relação aos espaços, também, os espaços são muito inadequados, são galpões que enchem de água, que enchem de lama…”
De acordo com o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Zé Maurício, do PP, o colegiado vai continuar a ouvir as experiências bem sucedidas de gestão dos resíduos sólidos. “O trabalho que nós estamos fazendo da Comissão de Meio Ambiente com relação à destinação dos resíduos sólidos é justamente isso: ouvir as experiências, ouvir os vários setores que estão envolvidos nessa logística, nessa problemática, e fazer com que daqui saiam resultados objetivos, positivos, para que possamos apresentar ao governador para que a gestão política seja feita de forma muito eficiente.”
Também participou da audiência a deputada Laura Gomes, do PSB.
COMO CHEGAR